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AQUI O POSTE MIJA NO CACHORRO

Nos últimos meses nunca passei por tantas dores de cabeça quanto agora. São dias gastos entre estudar Medicina e falar com meu advogado, Otávio. E se não existisse ele, não sei o que faria. É como meu pai fala, foi uma sorte tê-lo encontrado. Parece que de alguma maneira tudo conspirou para me preparar juridicamente para os anos seguintes. Sinto como se “algo” de certa forma me protegesse. Não, não sou religiosa.

No Brasil a gente está sempre “no fio da navalha”. E a toda hora surgem problemas “meio Kafka” para se solucionar. Uma hora foi minha faculdade querendo que eu refaça matérias que já passei pelo simples fato da troca de unidade, de Guarulhos para a Vergueiro. Outra hora é a empresa que aluga apartamento para mim, cujo imóvel estava sendo alienado na justiça, se recusar a cumprir com as obrigações dela e da parte DELA fazer a rescisão de contrato. Afinal, o novo proprietário não quer alugar o imóvel A empresa quebrou com o contrato conosco. Portanto ela tem que arcar com a multa de rescisão. Mas não quer. Os atendentes que não sabem absolutamente nada de DIREITO ligam e falam absurdos. Ela, a empresa, acha que pode construir as próprias regras e que tem autonomia para isso. Assim como a minha faculdade. As duas, empresas nacionais. Não, não é uma mera coincidência. No Brasil, O POSTE MIJA NO CACHORRO.

No Brasil, todos acham que podem extrapolar as leis. A imobiliária “startup” que de moderna só tem o nome mas funciona como o Brasil de séculos atrás. Ou a minha faculdade, as duas se acham ACIMA da república. Elas se valem disso porque na verdade o universo não colocou no caminho das pessoas um bom advogado como o meu. E parte da população não corre atrás da justiça para impor as regras da república. E suspeito que ninguém saiba de fato o que  é uma república. O brasileiro não reconhece as próprias leis, talvez não cumpra com as próprias leis, não se ache cidadão, não se reconheça BRASILEIRO. O Brasil é um país cuja população vive em anos anteriores à república atual, mais precisamente na época dos coronéis como o conto da faculdade que fala com juizes amigos. Diversas vezes,ouvi de alunos para não mexer com a faculdade que ela é “amiga” de juízes, que ela é superpoderosa. As pessoas ainda não se deram conta que o poder dela EMANA da crença deles. É uma crença apenas. Não é real. “Ah, mas eu perdi”. Sim, você provavelmente não teve um bom advogado. Bons advogados escrevem petições vencedoras. Nos ESTADOS UNIDOS, os escritórios de advocacia colocam em NÚMEROS a quantidade que determinado escritório tem de petições vencedoras. E isso é um parâmetro para se procurar um escritório lá. Aqui o cidadão comum acha que qualquer “redação jurídica” vence. Não, não é qualquer uma.

O medo prevalece, medo ou algo parecido. A crença, as falsas divindades, o mágico, o imaginário, as falácias. O Brasil é um país de falácias, de contos mal formulados de supostas leis e supostos poderes junto a juízes. Mais uma vez, o poste continua a eternamente a mijar no cachorro. A imobiliária e minha faculdade não são únicas. Muitas das empresas se julgam no direito de legislar em benefício próprio. A Samsung não queria consertar a TV do meu pai que havia adquirido a TV há pouco tempo. Meu pai entrou na justiça e ganhou. Nesse momento que as empresas perdem, todas elas, tentam um “acordo” ou passam te tratar com respeito. Porém, quem sou eu e meu pai na multidão? Eles contam com isso. De 100, uma pessoa entra na justiça. A faculdade sabe que os alunos, jovens, tem crenças fictícias a respeito de seu “poder”. Ela deita e rola alimentando as crenças. Alunos e pais não entram na justiça por conta da imaginação, falta de advogado competente ou até falta de recursos. A Samsung se vale daqueles que reagem “vou deixar pra lá e comprar outra”. Muitos consumidores desistem de seus direitos por causa do que eles chamam de “dor de cabeça jurídica” ou “processo é dor de cabeça”. Muitos consumidores RASGAM a própria cidadania.

E as empresas continuam a legislar por conta própria no país das bananas. No país dos habitantes que não querem ter dor de cabeça com a construção da própria nação. É nesse ponto que eu queria chegar. E cheguei. Somos nós, ou melhor, eu não e nem meus pais porque a gente “toca fogo no parquinho”, os culpados de termos miséria nas ruas, desemprego, corruptos por todo lado. Os habitantes não estão interessados em IMPOR respeito, não têm vergonha nenhuma na cara de se ausentar de seus deveres como cidadão. Um ou outro cidadão que grita forte, as empresas começam a respeitar. E eles já contam com isso. Quem sou eu numa multidão de alunos? Já fui até criticada por falar das minhas vitórias jurídicas. E falo sim. E faço “barracos” porque dessa maneira eu dou um pouco de mim na construção do país. E tenho um “feedback” positivo. A partir de mim alguns outros alunos tomaram a coragem de enfrentar e exigir seus direitos. Isso para mim já basta, aos outros eu só lamento.

Uma nação não é simplesmente agradável de morar com sistemas sociais que funcionam e empresas funcionando dentro das leis ao acaso. E mais uma vez, deixo FOUCAULT

“A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas pelos primeiros pastores: a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror: a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas; ela nasce com os famosos inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo”.

A lei e seu respeito a ela não nascem de habitantes alienados, nasce de muita dor de cabeça. É o enfrentamento às injustiças que constrói uma nação. Estamos, infelizmente, longe disso. Ninguém quer ter “trabalho”. E apesar de sermos o OUTRO, não enxergamos no outro um igual. Muita gente acha que se ausentando como cidadão vai escapar do sistema. Mas ninguém escapa. Ninguém escapa ao brasil.

FOUCAULT. M. Aula de 14 de janeiro de 1976. In.

Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes. 1999

E a gente cansa. Não das belezas naturais do Brasil, não das leis ou da constituição. A gente cansa do povo. É algo mais profundo. Eu, meu advogado, meus pais. E de repente a única saída ao não encontrar vozes na multidão que queiram nos acompanhar é mudar de páis. O Brasil é kafka puro. aqui o poste mija no cachorro.

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Sobre Mim

Estudante de Medicina, YouTuber, Blogueira, Colunista SanarMed, Academia Médica e Framework

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