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Sob a proteção da “autonomia universitária” na Medicina

Existe uma instituição de ensino de MEDICINA que toma medidas um tanto quanto arbitrárias, sob a proteção da “autonomia universitária”. Como se no mundo deles “tudo pudessem fazer”. Vivem no mundo de “Narnia?”. À medida que se causa problemas na formação dos alunos, como alguns estágios de INTERNATO “sem nada o que fazer”, distantes, sem opção de alimentação próxima e com um gasto alto de transporte, a instituição opta por dificultar a vida financeira de alguns e a saúde de outros. Outras faculdades fornecem um meio de transporte gratuito. Essa é a seco. E não se importam. É como se os discentes fossem apenas “números pagantes”. A Medicina virou uma mercado.

No início do semestre, chegou até a mim vários vídeos sobre um tal “LEILÃO DE NOTAS”. No auditório da faculdade as médias das notas dos alunos foram EXIBIDAS em um grande painel, em público. Os alunos com maiores médias puderam escolher os hospitais de preferência. Aos de piores notas, o que sobrasse em termos de “estágio”. Foi aí que tive a ideia. Liguei para o meu advogado e perguntei se junto a outros juristas ele aceitaria fazer uma LIVE sobre até onde vai a autonomia das universidades. Porque a impressão que tenho é que essa instituição é como se fosse o VATICANO. Um país sob a proteção da autonomia universitária dentro do Brasil. E que essa autonomia daria a essa instituição o direito de criar leis próprias. Por exemplo, pudesse humilhar estudantes chamando-os de “REPROVADOS” em um auditório lotado de alunos. E que, ao final, pudesse chamar os seguranças para retirar os estudantes que se atreveram a questionar esse tipo de tratamento.

E foi justamente isso que aconteceu no tal “Leilão de Notas” que a instituição tanto se orgulha de empregar. Duas estudantes não figuravam no painel e o coordenador justificou a ausência dos seus nomes,quando questionado para a escolha dos hospitais, por elas estarem “no sistema” como REPROVADAS. Falou REPROVADAS em “alto e bom som” por MICROFONE em um auditório LOTADO. “REPROVADAS!” Chegamos à barbarie da educação Médica. Um terreno baldio, terra de ninguém, lugar sem leis cujo coordenador como exemplo de conduta, HUMILHA. Isso é uma instituição de EDUCAÇÃO MÉDICA ou coliseu romano que tem por diversão jogar seus próprios alunos aos leões?

A LIVE está “no forno” ,quase pronta, a sair no meu canal do “YOUTUBE”. Isso significa que sou uma pessoa capaz de questionar “a ordem das coisas”. Muita gente reclama, poucos levam adiante até o ponto de mudar o país e colaborar para a construção de uma sociedade melhor, em que estudantes não sejam humilhados, independente de suas notas.

Autonomia universitária não significa soberania universitária. Essa autonomia não significa que ela surge por si só ou por ação das próprias instituições de ensino, mas é um poder que deriva de um ente maior. Neste caso, da República, por meio da Constituição federal de 1988, que determina, no art.207, que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial”. Mas a autonomia é limitada, quer seja pelas áreas que ela pode ser exercida, quer seja pela própria como uma concessão dada sob algumas condições. Ordens autônomas, como as universidades, têm que seguir as regras superiores da ordem soberana (República). Isso significa que elas não são livres para estabelecer regras que violem a Constituição Federal ou as Leis gerais da educação, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

A instituição não é o ESTADO. Não é a corte de Luís XIV. Por mais que ela tenha alguns “poderes”, ela pode sofrer processos de ordem criminal e civil. Um exemplo, as garotas humilhadas no LEILÃO DE NOTAS em diversos vídeos. gravados

TÍTULO II

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I

DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação

Sinto dizer, instituição, mas você VIOLOU A CONSTITUIÇÃO, está GRAVADO, e pode responder por isso. O meu ESTADO tem constituição. Eu não habito a sua Nárnia educacional.

Ademais, acima de tudo estudantes são consumidores cujo produto é o conhecimento ofertado pela faculdade. E, portanto, a autonomia universitária também esbarra na lei de defesa do consumidor.

Eu cheguei a questionar uma das alunas humilhadas: “eu queria processar, mas tenho medo de ser perseguida depois”. Achei um tanto “bizarro” esse tipo de pensamento a respeito de uma instituição de ensino DE MEDICINA, cuja principal função é ensinar a SALVAR VIDAS. Porém, muito dos alunos têm esse tipo de receio por parte dessa instituição, a perseguição.

Quando eu era criança, eu costumava ver muito filmes em que o personagem principal se revoltava a respeito de situações similares a essa, situações de injustiça. E contra tudo e todos ele ia em frente questionando o sistema. Cresci admirando isso, a coragem. Que é um sentimento protetor. Se a gente aceita tudo, tudo pode acontecer. Se a gente não aceita, asseguramos um limite. Daqui vocês não passam. E é por essa via que construímos uma nação. Mesmo em um país com tanta impunidade.

Eu me sinto na função dos personagens dos filmes que vi na minha infância. Algo deve ser feito. Se estou com medo eu vou com medo mesmo. Solto meus hormônios de luta e fuga e avanço. Vocês não vão violar meus direitos. Não vou abaixar minha cabeça, jamais. Porque tudo isso diz respeito de quem eu sou e o que serei como MÉDICA.

Luís XIV dizia que “a constituição é ele”. Sinto muito, vamos voltar à realidade, a constituição de 1988 não é a faculdade. Não há um parágrafo que diga que instituições educacionais sejam países à parte do Brasil. E nem que tenham imunidade parlamentar. Passeando pelos corredores da empresa também não tropeçamos em um parlamento. Portanto, sinto muito pelos alunos medrosos, mas vocês vivem no mundo de Nárnia. Saiam do mundo da Nárnia educacional, REVOLTEM-SE. E se revoltar não é somente ficar reclamando da instituição em grupos de mensagens, é fazer algo a respeito”.Ou vocês estarão sob as leis de uma instituição que confunde autonomia com SOBERANIA.

A Faculdade de MEDICINA do artigo elaborando as novas “LEIS” do semestre porque tem “autonomia universitária”.

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Sobre Mim

Estudante de Medicina, YouTuber, Blogueira, Colunista SanarMed, Academia Médica e Framework

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